Tem um olhar direito e doce,
Um ar de rosto de confiança,
E amará como se o amor fosse
Uma alegria de criança...

Trouxe-me a flor por brincadeira.
Maliciosamente vinda,
Seu mesmo gesto era a maneira

 
Ou talvez não e tudo mude,
Mas, se for como as sempre iguais,
Que o eterno desencontro ‘scude
Minha alma contra vê-la mais.

 

2 - 12 - 1929

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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