Que bebedeira! Mas no fundo
Há quem eu sou…
Uma visão anónima do mundo
Visto de onde estou.

Que bebedeira! Mas que bem que vejo
Todos perder
Aquele antigo e natural ensejo
Que os faria viver…

Que bebedeira… Mas os outros são
Mais bêbados do que eu…
Porque trazem nas mãos o coração
E perguntam se é seu…

7 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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