Esta chuva que cai e cerra o horizonte,
Que fecha e oculta o que talvez amasse
— O que poderia amar perdidamente,
O que poderia ver e humanamente amar!...
Esta chuva que continuamente cai,
Quanta doçura nela encontro,
Quantos iluminados gestos sem saber,
Quanto mistério, cor, descanso e aroma,
Quanta presença frente à limpidez que se admira,
Frente à mulher que em nosso peito prepara uma límpida festa
E nos convida a mar com os olhos rasos de água!

In O Livro do Nómada meu Amigo
Ruy Cinatti
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