Mandas-me as prendas que te dei outrora;
Aí vão aquelas que me deste um dia…
Seja! Acabe-se tudo… e que a alegria
Bafeje a tua cabecinha loura.

Aí vai o lenço onde, orvalhada aurora,
Choraste, certa vez, quando eu partia,
E a mecha de cabelos, luzidia,
Dada em risonha, inolvidável hora.

Aí vão as rosas, onde a tua boca
Pousaste, afável, antes que m’as desses,
No instante em que amor sem fim jurámos…

Nada mais tenho eu; é finda a troca
Se o desejo não tens (ah! Se o tivesses…)
De destroçar os beijos que trocámos…

 

 

Eugénio de Castro
ROMPIMENTO
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