No chove ainda mas a terra
na sua amarelenta e fria cor
cheira j a chuva.
No poderia viver onde a luz
fosse estrangeira. Teria medo
de morrer sem partilhar
com o sol do meio-dia
a pulsao do prprio olhar.
No se pode mudar de luz
como quem muda de camisa:
o meu pas
onde a pedra acesa do mar
ilumina as veredas
do corao. E a cal
escorre dos muros e do tronco
das oliveiras. At ao cho.

In O Sal da Lngua
Eugénio de Andrade
[NÃO CHOVE]
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