Quem fez de mim aquilo que hoje sou?
Que força estranha, oculta dentro em mim,
No que nunca quis ser meu ser fixou?
Fosse qual fosse, sou quem é assim.

Os vestígios do último remorso
Ergueram asas de onde estou sonhando.
E o meu ser é como um bandido corso
Que a polícia de França vai caçando.

7 - 7 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
« Voltar