Frutos, dão-os as árvores que vivem,
Não a iludida mente, que só se orna
      Das flores lívidas
      Do íntimo abismo.
Quantos reinos nos seres e nas cousas
Te não talhaste imaginário! Tantos,
      Sem ter perdeste
      Sonhos, cidades!
Ah, não consegues contra o adverso muito
Criar mais que propósitos frustrados!
      Abdica e sê
      Rei de ti mesmo.

 

6 - 12 - 1926

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
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