Meu coração é uma princesa morta.
Quem a deixou?
Quem deixou entreaberta aquela porta
Onde passou?

Meu coração jaz sobre o régio leito
Sereno enfim.
Entrou a paz longínqua do Eleito
Dentro de mim...

A leve quasi falsa c’roa doura
O vulto morto...
Ó Morte, as cousas de quem és senhora
São um cais sobre um porto...

Quero ir de mim, meu morto coração
E pertencer
A mim, à minha dor e à solidão
De nada ser...
11 - 6 - 1915

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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