Na metade do Cu subido ardia
o claro, almo Pastor, quando deixavam
o verde pasto as cabras, e buscavam
a frescura suave da gua fria.

Co a folha da rvore sombria,
do raio ardente as aves se emparavam;
o mdulo cantar, de que cessavam,
s nas roucas cigarras se sentia;

quando Liso pastor, num campo verde
Natrcia, crua Ninfa, s buscava
com mil suspiros tristes que derrama.

«Porque te vs, de quem por ti se perde,
para quem pouco te ama?» suspirava.
O Eco lhe responde: «Pouco te ama.»

Luís Vaz de Camões
[NA METADE DO CÉU SUBIDO ARDIA]
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