Cegaram os meus olhos para eterno
O olhar... E pelas urzes e giestas
Roçam a sua franja o haver festas
Longínquas. E o céu vago é triste e terno...

Quantos de nós não fazem céu e inferno
Dos vivos dóceis da sua vida arestas...
E as clarabóias luzem porque há festas
(Pálido o aspecto do teu rosto terno…)
 
Se pela escadaria em pedra e louco
Não houvesse outros precipícios que a Hora
Visível, pobre do que sente pouco...

(E verdadeiramente com ócio oco
Dorme como um triste que nunca chora
De encontro ao trono casual do Agora...)

3 - 6 - 1914

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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