É um palco, e um palco de sonho
Com figuras sem dever...
Ali um destino risonho
Funde sonhar com ser.

Cenário do sonho, ilude-o!
Acção, nunca te dês!
Ficções do interlúdio,
Enganai quem vos fez!

E viva a alma a esquecer,
Em transparência alheada,
A vida, que é plebe e mulher,
E a morte, que não é nada!


In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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