Para onde marcha o mundo? O que vai ser
Do pobre que nasceu para servir?
-- Trocaram o sorriso pela espada
E é latente a volúpia de agredir!

O que que os homens querem mais ainda
Além da sua vil mediocridade?
Incêndios, sangue, —- ó cegos visionários
Sem alma e sem noção da realidade!
Tambores e metralhas e clarins
Num cântico sinistro, sem beleza,
-- Embora a vida seja o hálito da morte,
Uma ilusão de límpida saüdade, —
Deixai supor, deixai-vos iludir
De que para viver
Não é preciso matar
Não é preciso mentir!

In Pequenas Canções de Cabaret 

 


In As Canções de António Botto - Primeiro volume das obras completas
António Botto
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