Morreu. Coitado ou coitada!
Vê-lo, ou vê-la, no caixão!
Isto é «sentido», ou é nada?
O choro é tépido e vão.

Tem a face transtornada
De tantas calmas que estão
Naquela expressão fixada
Pela falta de expressão.

Morreu. Uns meses depois
Morreu. Amada ou amado,
Seja lá o que for dos dois —

Passou a ser o passado...
Ó grandes mágoas, vós sois
Um esquecimento adiado.

8 - 10 - 1927

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar