Assim que a noite as suas longas
Tranças encosta ao nosso olhar,
Deixa de novo despertar
A vida das tuas mãos longas...

Hora em surdina incompleta, ar
Como uma haste partida, alongas
Meus olhos por tuas mãos longas
E sente-se a Hora parar...

A doença de se cansar
Em nós o como ter agrado
Por tuas mãos longas e o lado
Que elas ocultam do amplo ar..

Mãos longas e mais longo o ar...


[4-2-1915]

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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