Nada que sou me interessa.
Se existe em meu coração
Qualquer coisa que tem pressa
Tem pressa em vão.
 
Nada que sou me pertence.
Se existo em que me conheço
Qualquer coisa que me vence
Depressa a esqueço.
 
Nada que sou eu serei.
Sonho, e só existe em meu ser,
Um sonho do que terei.
Só que o não hei-de ter.
24 - 8 - 1932

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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