O meu amor, não eu, é egoísta.
O meu amor ama-se mais que a ti;
Ainda mais que a mim; para que exista
Faz-me viver e nutre-se de mim;
           Em terra de pontes, a ligação
É mais real que as margens distantes;
Por isso num mundo de Relação —
Mais vero é o Amor do que os amantes.
           A Dúvida assim chega à consciência —
Se nós, olhos do mundo, não seremos
Hiatos apenas, só Divina Ausência,
           Vazios na Consciência e no Pensar.
Se do Pensar tal fruto concebemos
Por que é que a Verdade não o pode dar?

 


In POESIA INGLESA II , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 2000
Fernando Pessoa
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