Ténue, uma brisa ou não vem ou esquece.
Tudo parece
Mais leve e brando só de ela ser
Um parecer.

Tão vago é tudo que se a brisa vem
Não há ninguém
Que a note, todos conversando, mas
Há contudo as

Palavras que ficaram por falar
E que nesse ar
Que é brisa, ou quasi brisa, se quebrou
Contra o que não ficou.

16 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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