Quando é que passará esta noite interna, o universo,  
E eu, a minha alma, terei o meu dia? 
Quando é que despertarei de estar acordado? 
Não sei. O sol brilha alto, 
Impossível de fitar. 
As estrelas pestanejam frio,  
Impossíveis de contar.  
O coração pulsa alheio,  
Impossível de escutar.  
Quando é que passará este drama sem teatro, 
Ou este teatro sem drama, 
E recolherei a casa? 
Onde? Como? Quando?  
Gato que me fitas com olhos de vida,
Quem tens lá no fundo? 
É esse! É esse!  
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei; 
E então será dia. 
Sorri, dormindo, minha alma! 
Sorri, minha alma, será dia!

7 - 11 - 1933

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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