Guardo para mim a alegria 
do sol, guardo-a 
atrás das pupilas, tranquilo, 
banhado de esplendor. A alegria 
é de aço, de estrelas do mar, 
de silêncio que cega. 

Tens razão. É da nuvem que falo, 
do vento sul que a lança, do escombro 
banhado pela chuva — o poema 
organiza-se sob a tempestade, 
o drama 
requer os seus efeitos, as palavras
rebentam os diques, pedem 
uma escrita, uma voz — quem 
poderá articular razões nesse crepúsculo? 


In LUZ VEGETAL , Limiar, 1975
Egito Gonçalves
[[GUARDO PARA MIM A ALEGRIA]]
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