Puseram-no contra a parede
Com os olhos vendados.
Parou um silêncio... Uma sede
Tomou-o... Houve passos afastados...

A casa branca sorria
No seu passado de infância...
No ar sem aroma havia
A sua alegre fragrância...

A mãe a beijá-lo... O arco
A meio do quintal...
Uma voz... A luz no charco
Viu tudo que fez mal...

Depois a cabeça loura,
Os olhos azuis, a voz
Primeiro.., à porta... a hora

O seu sorrir, o olhar
Que lhe deu tudo, o instante
Em que a viu debruçar
Fogo... disse o comandante.

□ espaço deixado em branco pelo autor


post 24-1-1917

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar