Meus dias, que já foram tão luzentes,
Hoje da noite opaca irmãos parecem;
Meus dias miseráveis emurchecem
Longe do gosto e longe dos viventes:

Horror das trevas, peso das correntes,
Olhos, forças me abatem, me entorpecem:
E apenas por momentos me aparecem
Rostos sombrios de intratáveis entes:

Pagam-se da rugosa austeridade;
Antolha-se-lhe um crime, um atentado,
Sofrer nos corações a humanidade:

Voai, voai do Céu para meu lado,
Ah! Vinde, doce Amor, doce amizade,
Sou tão digno de vós quão desgraçado.

Bocage
DESCREVE OS SEUS TORMENTOS NO CáRCERE
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