O sono é bom pois despertamos dele
Para saber que é bom. Se a morte é sono
        Despertaremos dela;
        Se não, e não é sono,

Conquanto em nós é nosso a refusemos
Enquanto em nossos corpos condenados
        Dura, do carcereiro,
        A licença indecisa.

Lídia, a vida mais vil antes que a morte,
Que desconheço, quero; e as flores colho
        Que te entrego, votivas
        De um pequeno destino.

 

19 - 11 - 1927

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
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