Ah quantas máscaras e submáscaras
Usamos sobra a alma! E quando, a gosto,
A alma tira a última das máscaras,
Será que ela conhece o simples rosto?
          A vera máscara não está por trás
Mas espreita por ela conivente.
O hábito aceite, sonolento faz
Tudo o que começa consciente.
         Como a criança teme a própria face,
A nossa alma, criança também,
Julga ser de outro o rosto em seu disfarce
         E um mundo lhe vem de se enganar;
E até o pensar uma máscara tem
Quando quer a alma desmascarar.

 


In POESIA INGLESA II , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 2000
Fernando Pessoa
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