Perguntais o que quero. Beber ao ponto
De não saber se bebo ou se bebi
É porque (e eu peço que não dês desconto
Ao que digo), arrastado longe daqui
No regaço negro onde me encontro
Fitei muito de perto o Ser-em-si
E dessa negra luz que cego vi
E fiquei precisando ficar tonto.
8 - 3 - 1910

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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