Depressa os mortos esquecem,
Ciprestes □
Se os que cobris soubessem
O quanto já esqueceram.

E é para isto que amamos!
Morremos: ficamos sós.
Só temos os vossos ramos
Inúteis ao pé de nós.

Mesmo o imortal lembrado,
Mesmo o que nunca morre,
Dizei se ele o sabe, alheado

24 - 5 - 1922

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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