Olho o mar que sorri,
E a nuvem que se poisa
No silêncio,
Lembra-me uma coisa
Que sei que nunca vi.

Ah, mas que ver é que houve
Deste, que foi meu?

Foi todo o meu ser só os olhos,
Que a viram, de um outro ser?

Deus me guarde do Fim
E da hora em □ absorta
Em que entre mim e mim
Se abra a Grande Porta.

 


□ espaço dixado em branco pelo autor

 

1 - 2 - 1917

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar