Sinto um prenúncio de morte
Dentro do meu coração.
Virá quando a der a Sorte.
Quando vier , vem em vão.

Porque a morte é sombra e nada,
É só a vida vulgar
Que de um lugar é tirada
E posta em outro lugar.

Ri, alma do que acontece!
Nada existe, salvo seres.
A aranha da vida tece
Só teias de o não saberes.

16 - 3 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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