Ermo sob o ermo céu
Esse mesmo ermo céu
Fita-o deste ermo lago...
Há árvores à roda...
Há um inquieto e vago
Desassossego em toda
A paisagem à roda...

Eu não sei porque existo...
Vou à beira do lago
E fito o meu rosto vago
Na água onde o olhar atristo...
Não sei quem é que existo...
Sorrio, um triste e vago
Sorrir só para o lago...

Pesa-me a alma que visto.. .
(Tudo isto é o céu e o lago
Mas eles não são isto)
18 - 12 - 1914

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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