Rapaz: vai lá fora à viela da Fome sem gritos
e traz-me, num rojo de chicote,
aquela mendiga de mãos de verdete
que todas as noites me estende o braço
longo como um caminho de suor...

É essa a mulher que eu desejo
para a carne do meu musgo.

Traz-ma!

E esse o vinho que eu anseio
para o pus do meu cio.

Traz-ma!

É esse o luar podre que eu sonho
para a semente do meu frémito.

Traz-ma!

Traz-ma para eu dançar com ela no meio do mundo
a cheirar a realidade.

Traz-ma!

Sim, traz-ma! Traz-ma! TRAZ-MA!

Já estou farto de sombras e sedas de melodia
e quero sair do espelho
com passos de terra.


In Cabaré
José Gomes Ferreira
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