Para quê tanta clareza?
Às vezes os dias longos
Pesam tanto!
 
Devemos ser misteriosos.

Dizes-me sempre o que sentes...
Ah, esconde-me qualquer cousa!...

No amor deve haver segredo.
Os corpos não precisam explicados
Para serem formosos.


[1920-1921]

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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