outono, desprende-te de mim.

Solta-me os cabelos, potros indomveis
sem nenhuma melancolia,
sem encontros marcados,
sem cartas a responder.

Deixa-me o brao direito,
o mais ardente dos meus braos,
o mais azul,
o mais feito para voar.

Devolve-me o rosto de um vero
sem a febre de tantos lbios,
sem nenhum rumor de lgrimas
nas plpebras acesas.

Deixa-me s, vegetal e s,
correndo como um rio de folhas
para a noite onde a mais bela aventura
se escreve exactamente sem nenhuma letra.

 


In As Palavras Interditas
Eugénio de Andrade
VEGETAL E Só
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