Sob olhos que não olham - os meus olhos -
Passa o ribeiro, que nem sei se é
Rápido ou lento, passa incerto ao pé
Dos invisíveis 'spinhos e abrolhos
Da margem, minha estagnação sem fé.

É como um viandante que passasse
Por um muro de quinta abandonada
E, por não ter que olhá-lo, por ser nada
Para seu interesse, o não olhasse,
Fiel somente ao nada seu - a estrada.

22 - 11 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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