No outono as horas que passam
Passam mais devagar
No outono as asas que esvoaçam
Parecem voar sem voar.

No outono o sorriso é tardo
Que as cousas tentam ter...
Mesmo esta ânsia erma em que ardo
Parece mal arder...

Só um lento desassossego
Só uma angústia vaga
Como de um país cego
Para o mar que o alaga.

Para o mar que ruge e esquece
Sobre as costas, □
E essa terra que o mar □
E sonha com ele tendo-o...


□ espaço deixado em branco pelo autor

17 - 10 - 1913

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar