Todas as horas faço gaffes de civilidade e etiqueta,
(A vida social é complexa para a minha fraqueza de nervos)
Mas nunca existiu quem só tivesse vivido em alma
Numa eterna luta de Janus.

Arre, a humanidade é uma coisa muito complexa…
Tenho-a observado com os olhos e os nervos, e ainda não percebi.
(Compreender é um navio ao longe)

Toda a gente que tenho conhecido

Estou farto de semi-deuses!
Onde é que há gente no mundo?

Não tenho um amigo, um conhecido, em quem batesses
Ninguém que eu conheça perdeu o amor de uma mulher.
Tenho feito muitas coisas más, muitas coisas reles, muitas infâmias.
Tenho sido cobarde, revoltante, sujo.
Não encontro ninguém assim.
Todos têm sido príncipes, os que têm andado comigo.

 

□ espaço deixado em branco pelo autor

 


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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