Eu sonho. Morre-me no olhar parado
A alma; a outro olhar interior aflora
E vê de dentro as Cousas e a Hora...
Visto do Outro Lado,
Cada Ocaso é uma Aurora…

Sonho. E a visão com que me invado
De uma nua certeza  e calma
E um oásis em mim, com água e palma
Visto do Outro Lado,
Cada Corpo é uma Alma.

Sonho mais. Perco a vida do estagnado
Na visão com terço em mim aos céus
E faço a realidade sonhos meus...
Visto do Outro Lado,
O Todo é nada e é Deus...


 espaço deixado em branco pelo autor


[25-9-1912]

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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