Ondados fios de ouro reluzente,
Que agora da mo bela recolhidos,
Agora sobre as rosas estendidos
Fazeis que sua graa se acrecente;

Olhos, que vos moveis to docemente,
Em mil divinos raios encendidos,
Se de c me levais alma e sentidos,
Que fora, se de vs no fora ausente?

Honesto riso, que entre a mor fineza
De perlas e corais nace e parece,
Se n'alma em doces ecos no o ouvisse!

Se imaginando s tanta beleza,
De si, em nova glria, a alma se esquece,
Que ser quando a vir? Ah! quem a visse!

Luís Vaz de Camões
[ONDADOS FIOS DE OURO RELUZENTE]
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