Na acesa fantasia estou medindo
Os passos e as aces da minha amada;
Noto-lhe o puro colo, a mo nevada,
Os olhos divinais, o gesto lindo:

Vejo-a com doces lgrimas sentindo
Minha acerba opresso de horror cercada,
E em torno da beleza amargurada
As graas soluando, Amor carpindo:

A tudo quanto a v, quanto a rodeia,
‘t mesmo irracional e inanimado,
Obriga a suspirar, comove, anseia:

E de a ter com meus males consternado
Talvez l na profunda estncia feia
D tambm algum ai meu duro fado.

 

Bocage
RECORDAçõES DA SUA AMADA NO CáRCERE
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