Morre todas as noites uma águia
que só da minha vida se alimenta

Que mistura de cânhamo e de carne
no seu rasto de sangue me desvenda

Morre todas as noites no momento
em que volta a nascer de madrugada

E para lhe fugir ainda é cedo
E para celebrá-la já é tarde


In Matura Idade
David Mourão-Ferreira
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