Por tantos e tão ásperos caminhos!
Por tanta infiel vereda,
Que para os pés tinha só pedras duras,
Pedras e espinhos,
Em vez de aquela areia, como seda,
Que os sonhos dão às venturas...

Por tantos e tão ásperos caminhos
Cheguei aqui, inútil e perdido,
Sem razão de aqui estar ou por que ser...
Somos todos sozinhos...
Mas no meu coração tenho o sentido
De aquilo, o outro, que quis ter.

Por tantos e tão ásperos caminhos!...
Morreram as princesas de balada,
Os bobos choram quedos...
Que foi da festa por detrás dos moinhos?
E a princesa encantada -
Porque é que a sua mão me larga os’ dedos?

18 - 7 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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