Se toda a gente trabalha,
Porque não trabalhas tu?
Porque a inteligência ralha
Há quem goste de andar nu.

E quando o meu pensamento
Se veste de ter vontade
E, roupa, lhe pesa o intento
De alguma veleidade —

O que quer é só despir-se
E de novo regressar
Àquilo que Deus lhe disse,
Que era ser nu a pensar…

16 - 7 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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