O deus Ódin é louro como o sol
Mas o seu corpo é branco como o luar
Muito antes que o sussurro do arrebol
Comece no horizonte a esverdear

O deus Apoio é belo como a face
Da natureza quando é primavera
A sua  é rapace
Do que em nós 

Mas esse da cruz? esse que na frágua
Do sofrimento é frio no estertor?
Porque é que quando o fita perde a cor
A nossa alma? Qual o seu valor?
É a beleza interior da mágoa
E a verdade vital da eterna dor.

 espaço deixado em branco pelo autor

25 - 9 - 1911

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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