O coração! Potosi misterioso!
O grande rio de areais auríferos,
Que vem de umas nascentes ignoradas
Arrastando safiras em cada onda,
E depondo no leito finas pérolas!

O coração! É aí, ricos, a mina
Única digna de enterrar-se a vida,
Cavando sempre ali… Sem ver mais nada…
Foi lá, como na areia o diamante,
Que Deus deixou cair da mão paterna
As esmeraldas do diadema humano…

O Sentimento vivo… a Acção radiante…
E a Ideia, o brilhante de mil faces!
Foi lá que esse Mineiro dos futuros
Encobertos andou co’os braços ambos
Metidos a buscar — mas quando um dia
Do fundo as mãos ergueu… o mundo, em pasmo,
Viu-lhe brilhar nas mãos… o Evangelho!

 

 


In Odes Modernas
Antero de Quental
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