Qual é aquela canção
Que, em vontade do que sinto,
Procuro, e procuro em vão?
Sempre que a escrevo, me minto.

Era melhor não pensar,
Porque assim a cantaria:
Era uma canção a dar
A quem a procuraria.
 
Hálito breve e desnudo
De uma intenção de dizer.
Falado, calava tudo.
Dito, ficava a esquecer.

27 - 7 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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