Cuidas tu, louro Flaco, que apertando
Os teus estéreis, trabalhosos dias
      Em feixes de hirta lenha,
      Cumpres a tua vida?
A tua lenha é só peso que levas
Para onde não tens fogo a que aquecer-te
      Nem levam peso ao colo
      As sombras que seremos.
Aprende calma com o céu unido
E com a fonte a ter unido curso.
      Não sejas a clepsidra
      Que conta as horas de outros.
11 - 7 - 1914

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[[CUIDAS TU LOURO FLACO QUE APERTANDO]]
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