Uma cortina nos vem encobrir
Todo o mistério que se sabe existir,
Como a tempestade, mudo e temível,
Dos olhos da alma que só veriam
Por detrás dela muita coisa incrível —
Cortina onde, nas dobras vivas,
O Horror recebe sua corte sombria.

E quem quiser a cortina romper
Só na mente, sentirá enfraquecer
O seu coração face à ironia
De que o Nada no peito dói mais
Que aquilo que é ou que parecia —
Pois que o Nada um medo trará,
Uma aflição que mais nada aqui dá.


1907

In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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