por vezes corre-me pelas mãos uma morte
      um olhar indefinido
separado do seu rosto mais nítido, um lago de nácar embutido na indelével paisagem
      sou capaz de me desprender desse rosto, desse olhar
      dessas mãos que adquiriram a sageza fria das fontes e a nobreza do dragão
    
      na verdade, os ritos do suicídio sempre me perturbam o sono, perdem-se
      na milenar memória doutro corpo-meu
     
      transparentes paisagens tecem-se em mim
      balbucio um desejo
      o tempo ensinou-me como deve ser procedido de recolhimento e preces
      o mágico ofício do barro
     
      a obra, é em seguida submetida à vida fértil do fogo
      onde irrompe a escrita e se aperfeiçoa o jade

 


In O Medo
Al Berto
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