Não digas nada! 
Não, nem a verdade! 
Há tanta suavidade
Em nada se dizer 
E tudo se entender —  
Tudo metade 
De sentir e de ser... 
Não digas nada! 
Deixa esquecer 
  
Talvez que amanhã 
Em outra paisagem 
Digas que foi vã 
Toda essa viagem 
Até onde quis 
Ver quem me agrada... 
Mas ali fui feliz 
Não digas nada.  
23 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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