Perdi completamente uma ilusão.
Nunca se perde mais do que uma.
Nela vai todo o coração:
O resto é espuma.

Quando primeiro confiamos
Confiamos de uma só vez.
Morremos se nos enganamos

Ressaca quieta abandonando a areia,
Vago poente anoitecendo em flor,
A ilusão que perdi é hoje ideia
E eu vivo dela sem amor.

15 - 10 - 1930

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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