A  água da chuva desce a ladeira.  
      É uma água ansiosa.  
Faz lagos e rios pequenos, e cheira  
      A terra a ditosa.  

Há muitos que contam a dor e o pranto 
      De o amor os não qu'rer... 
Mas eu, que também não os tenho, o que canto
      É outra coisa qualquer.

21 - 3 - 1928

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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