Nos funerais de ouvir vozes de água e achá-las belas
Levaram turbas, pontes sobre angústias frias,
Os sossegos que os tédios mandam como caravelas,
À procura de outonos para primaveras de elegias.

Nos claustros os navios que lá não estão embandeiram
Em arco... Houve música a bordo quando o navio deixou o cais..
Dia de chuva vinda das janelas do silêncio... Param
E crepúsculos sobre dissidências em não te querer ver mais.


In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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